Pescadores indígenas ampliam o monitoramento da pesca amazônica

Pescadores indígenas ampliam o monitoramento da pesca amazônica
noviembre 6, 2026 Gabriela Merizalderubio
6 de noviembre de 2026

A TIKÀ, uma organização de pescadores e pescadoras indígenas de sete comunidades de Letícia, no Amazonas colombiano, ampliou sua experiência de monitoramento pesqueiro até o Porto de Letícia. Ali, colocou em prática seus conhecimentos sobre os peixes e a atividade pesqueira para observar o que acontece após a captura, desde o desembarque até a venda, o armazenamento e o transporte.

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O que acontece com o pescado depois de sua captura? O acompanhamento no Porto de Leticia permitiu observar seu percurso pelos pontos de desembarque, depósitos e espaços de venda, além de reunir informações sobre sua procedência e destino.

O processo foi desenvolvido por meio de uma articulação entre a TIKÀ, o Grupo Proa e a Wildlife Conservation Society (WCS). Os integrantes da TIKÀ realizaram o monitoramento e contribuíram com seus conhecimentos sobre os peixes e a atividade pesqueira. O Grupo Proa coordenou a implementação e acompanhou a organização do trabalho, a capacitação e o acompanhamento das informações, no âmbito de sua colaboração com a WCS.

Entre maio e setembro de 2026, a equipe de monitoramento da TIKÀ consolidou 909 observações digitais em 100 datas distintas. Os registros incluíram informações sobre as espécies comercializadas, sua procedência, destino e artes de pesca, além de medidas de comprimento e peso, quando foi possível obtê-las.

TIKÀ: conhecimento e trabalho a partir do território

A TIKÀ é a Organização de Pescadores Artesanais das sete comunidades vinculadas ao sistema de lagos e ao igarapé Yahuarcaca, em Letícia. É formada principalmente por pescadores e pescadoras indígenas dos povos Tikuna, Cocama e Yagua.

Sua área de atuação abrange aproximadamente 1.300 hectares de lagos, igarapés e florestas inundáveis, com mais de 21 lagos interconectados e cerca de 12 quilômetros de igarapé. Ao redor desse sistema vivem aproximadamente 1.200 famílias, distribuídas entre sete comunidades, territórios indígenas e outras áreas de ocupação rural.

O sistema de lagos e o igarapé Yahuarcaca constituem um território fundamental para a pesca artesanal, a alimentação e os meios de subsistência das comunidades. Seus ambientes aquáticos e florestas inundáveis também contribuem para a biodiversidade e o abastecimento de água de Letícia.

A TIKÀ desenvolve ações de governança ambiental, monitoramento biocultural da pesca e do território, acompanhamento de acordos pesqueiros, educação ambiental e transmissão de saberes próprios. A experiência de seus integrantes sobre as espécies, as temporadas e os locais de pesca é uma base importante para compreender a atividade pesqueira e as mudanças no território.

Novas conexões para compreender a pesca amazônica

O monitoramento no Porto de Letícia permitiu à TIKÀ se relacionar com outros atores da atividade pesqueira, entre eles pescadores, compradores, balsas de coleta e estabelecimentos de armazenamento e comercialização. Esses vínculos abriram espaços de colaboração e reconhecimento dos saberes dos pescadores indígenas. A presença da TIKÀ no porto permitiu levar sua experiência territorial ao diálogo com aqueles que recebem, armazenam e comercializam o pescado, ampliando sua perspectiva sobre as diferentes etapas percorridas pela captura.

A experiência também permitiu observar de perto a dimensão transfronteiriça da pesca amazônica. O pescado que chega a Letícia faz parte de uma dinâmica regional que conecta Peru, Colômbia e Brasil, tanto pelos locais de origem quanto pelas rotas de comercialização. Compreender essa atividade exige relacionar os territórios de pesca com os pontos de desembarque e os mercados, para além das fronteiras nacionais. Os dados coletados ajudam a quantificar essa conexão regional. Entre os registros que informam o país de origem, 58,5% correspondiam ao Peru, 24,3% ao Brasil e 17,1% à Colômbia. O acompanhamento também identificou destinos como Bogotá e o mercado local, mostrando como o porto conecta a pesca amazônica à alimentação e aos mercados de outras regiões do país.

“Para nós, como monitores da TIKÀ, foi um desafio realizar esse monitoramento no porto. Percebemos que chegam peixes do Brasil e do Peru, de diferentes tamanhos, e observamos que, embora ainda existam peixes muito grandes na Amazônia, outros estão ficando cada vez menores”, afirma Georgina Rubio Vargas, monitora e coordenadora da pesca na comunidade de La Milagrosa e integrante da organização TIKÀ.

Nesse processo, o conhecimento dos pescadores e das pescadoras sobre as espécies, as temporadas, os locais de pesca e a dinâmica do rio foi complementado por ferramentas de registro digital e protocolos de monitoramento. Essa combinação permite gerar informações úteis para as comunidades e para os processos de pesquisa e gestão pesqueira.

Na etapa de monitoramento, de maio a setembro de 2026, participaram sete integrantes da TIKÀ: cinco mulheres e dois homens. A equipe incluiu dois jovens, de 18 e 20 anos. A atividade também foi um espaço prático de formação e intercâmbio entre gerações, que contribuiu para fortalecer as capacidades da organização.

Conectar o território, o porto e os mercados permite à TIKÀ compreender a pesca amazônica em uma escala mais ampla. As informações reunidas oferecem uma base para dialogar com outros atores, orientar o monitoramento e contribuir para decisões sobre o manejo dos recursos pesqueiros, fundamentais para a alimentação e os meios de subsistência das comunidades.

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Esta notícia é uma tradução. A versão original deste artigo está em espanhol (disponível aqui).

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