Tecnologia social desenvolvida no Brasil para enfrentar secas fortalece o acesso à água em comunidades da Amazônia equatoriana

Tecnologia social desenvolvida no Brasil para enfrentar secas fortalece o acesso à água em comunidades da Amazônia equatoriana
junio 29, 2026 Gabriela Merizalderubio
29 de junio de 2026

Uma tecnologia social desenvolvida na Amazônia brasileira para responder às secas extremas de 2023 e 2024 foi compartilhada no Equador com o objetivo de fortalecer o acesso à água segura e a capacidade de resposta de comunidades amazônicas diante de eventos climáticos extremos.

A solução faz parte do projeto Água de Beber, promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá para comunidades em situação de emergência. Ela inclui um kit de baixo custo e um guia prático para o tratamento de água turva de rios e igarapés que pode ser utilizado pelas próprias famílias.

A tecnologia foi apresentada durante duas oficinas de Capacitação de Multiplicadores em Água e Saneamento na Amazônia Rural, realizados nos dias 27 e 28 de maio na cidade de El Coca e na comunidade waorani de Guiyero (Equador) . Mais de 90 pessoas, entre representantes de comunidades indígenas, organizações e instituições da Amazônia equatoriana, participaram do processo.

Durante as oficinas, pesquisadores do Mamirauá e da Universidade São Francisco de Quito (USFQ) realizaram demonstrações sobre o uso do kit para purificação de água de rios e igarapés em contextos de emergência e compartilharam outras metodologias complementares, como a desinfecção solar da água.

Ao todo, foram distribuídos 50 kits para as famílias das comunidades de Guiyero, Ganketapade, Nenkeguiro e Timpoka, e  moradores de El Coca vinculados a associações de pescadores, redes de jovens, estudantes, juntas de água, associações locais e entidades públicas.

Para Paulina Rosero, pesquisadora da USFQ, o intercâmbio permitiu compartilhar experiências desenvolvidas em outros territórios amazônicos e explorar sua adaptação ao contexto equatoriano, onde as comunidades também enfrentam desafios relacionados ao acesso à água, ao saneamento e aos impactos das mudanças climáticas.

Como próximo passo, a universidade prevê replicar a experiência na comunidade kichwa El Edén e acompanhar os participantes na aplicação desses conhecimentos em seus territórios.

Para João Paulo Borges, líder do Grupo de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis para a Amazônia do Instituto Mamirauá, a experiência fortalece as alianças entre instituições e comunidades e contribui para enfrentar desafios comuns na região. “É um intercâmbio que beneficia diferentes territórios amazônicos diante de desafios ambientais compartilhados.”

A iniciativa demonstra como a troca de conhecimentos entre territórios amazônicos pode gerar soluções práticas para desafios comuns, como o acesso à água. Essa experiência foi promovida pela USFQ e pelo Instituto Mamirauá, com o apoio da Escola Politécnica de Chimborazo (ESPOCH), campus Orellana, no marco da Aliança Águas Amazônicas.

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